sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As falsas imagens e o papel dos autarcas


A propósito de uma notícia do Jornal Público, que transcrevemos abaixo, publicada hoje, cujo subtítulo é "Comboios atravessam algumas das zonas mais problemáticas de Lisboa em termos de criminalidade, como bairros da Amadora, Cacém e Rio de Mouro", ficámos espantados como mais uma vez a imprensa faz generalizações e trata todo o território por igual.

O que a notícia sugere, com um subtítulo daqueles, é que os passageiros que entram em Lisboa e rumam a Sintra, partem para uma aventura, comparável à dos comboios do velho Oeste a atravessar território de índios.

Ora não querendo negar, que existem problemas de segurança, com alguma frequência, para os quais se tem procurado dar resposta, com o aumento de presença policial nos comboios e estações e instalação de sistemas de vigilância, não se pode imputar uma directa responsabilidade a este ou àquele local, como sendo o foco de propagação de toda a criminalidade e insegurança.

No que ao Concelho de Sintra diz respeito, (nomeadamente Cacém e Rio de Mouro), alguém acha que aqueles locais têm bairros onde seja impossível entrar ou zonas onde a circulação de pessoas tenha que ser alterada com receios fundados?

A criação destas falsas imagens, que muitas vezes é alimentada pelos agentes políticos, em busca de presença mediática fácil, é demolidora para o desenvolvimento do território.

Não é aceitável, que quem equaciona comprar uma habitação, não o faça em Sintra (Agualva-Cacém, Rio de Mouro ou Queluz), porque "aquilo é uma terra de índios".

Cabe aos autarcas e responsáveis políticos, fazerem um esforço para descolar de Sintra, este estigma que falsamente se criou.

"Assalto à facada e à pedrada em comboio da Linha de Sintra.


Comboios atravessam algumas das zonas mais problemáticas de Lisboa em termos de criminalidade, como bairros da Amadora, Cacém e Rio de Mouro.


Um homem ficou ferido, cortado a golpes de navalha, quando ontem, ao princípio da tarde, evitou que um grupo de seis jovens assaltassem a sua mãe, num comboio da Linha de Sintra.

O incidente ocorreu na estação de Santa Cruz/Damaia, num comboio que se dirigia para Lisboa. Alguns dos assaltantes entraram na estação anterior, na Reboleira. Dois dos que já se encontravam no interior da composição tinham circulado por entre os passageiros para identificarem possíveis vítimas. A escolhida foi uma mulher de idade, que trazia uma mala de mão.

Quando o comboio parou, um dos assaltantes precipitou-se para a mala e só não a levou porque não sabia que, num banco ao lado, viajava o filho da vítima. Lutaram corpo a corpo, enquanto outros elementos do grupo impediam que as portas das carruagens fechassem e o comboio retomasse a marcha. Como o assaltante não conseguia libertar-se do homem que evitou o roubo, outros jovens que estavam na gare entraram no comboio. Vieram munidos de pedras, que arremessaram contra os passageiros e um deles, empunhando uma navalha, golpeou numa mão o homem que antes evitara o roubo. O grupo acabou por fugir na direcção do Bairro da Cova da Moura, a poucas dezenas de metros do local.

No comboio não viajava qualquer polícia nem segurança, mas a PSP da Damaia, alertada telefonicamente por populares, deslocou mais tarde para as imediações da estação alguns efectivos.

A Linha de Sintra é um dos principais focos de criminalidade nos transportes públicos da região de Lisboa. Apesar dos comboios estarem equipados com câmaras de filmar, os assaltos participados à polícia são quase diários. Só no ano passado registaram-se cerca de duas centenas de denúncias. Os números, adiantava em Março de 2009 Rui Ramos, da comissão de utentes, não merecem total confiança, uma vez que muitos passageiros não apresentam queixa por entenderem que nada resolve.

Os comboios da Linha de Sintra, que transportam diariamente cerca de 210 mil passageiros, são fiscalizados por 50 agentes da PSP, sediados na estação de Monte Abraão."

Fonte: Jornal Público

3 comentários:

  1. Não foi bem assim que aconteceu.... Eram dois e as pessoas afastaram-se ninguem foi ajudar. Provavelmente porque a senhora era de origem cigana.

    Mas ninguem foi apedrejado dentro do comboio

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  2. A ser assim, a notícia ainda peca por execesso de alarmismo.

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